POTENCIAL ANTI-HELMÍNTICO DA PIPLARTINA ISOLADA DE Piper tuberculatum contra larvas de Angiostrongylus cantonensis
Resumo
As doenças tropicais negligenciadas afetam mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo, dentre elas estão as helmintíases, atingindo principalmente populações em situação de vulnerabilidade social, marcadas por deficiência em saneamento básico, educação e acesso a saúde. Por conseguinte, essas infecções comprometem o desenvolvimento físico e mental, além de intensificarem desigualdades sociais e econômicas. O tratamento atual depende de poucos fármacos, que vêm se tornando menos eficazes devido ao uso contínuo e ao surgimento da resistência parasitária. Em vista disso, a biodiversidade brasileira, uma das mais ricas do planeta, constituí um vasto reservatório de compostos bioativos com potencial para o desenvolvimento de novos fármacos, especialmente no combate a doenças negligenciadas como as helmintíases. Entre os helmintos de relevância para a saúde pública, destaca-se o nematoide Angiostrongylus cantonensis, causador da angiostrongilíase, uma zoonose emergente associada à ocorrência de meningite eosinofílica, que é um modelo experimental para a triagem de novos fármacos. Em resposta à necessidade de novas terapias, a investigação de produtos naturais tem se destacado, explorando a ampla diversidade química presente na natureza. No Brasil, programas como BIOTA, apoiado pela FAPESP, fortalece a conservação e uso sustentável da biodiversidade, criando bancos de compostos naturais para doenças negligenciadas. A planta Piper tuberculatum, conhecida como "pimenta-d’arda", é usada tradicionalmente como analgésico e antiofídico. Seus extratos alcaloides, principalmente a piplartina, apresentam atividade antiparasitária comprovada. Este projeto visa avaliar a atividade helmíntica da piplartina contra larvas de A.cantonensis em ensaios in vitro, e valorizar a biodiversidade brasileira para a saúde pública.
