CUBEBINA ISOLADA DE DRIMYS ANDINA: EXPLORANDO A BIODIVERSIDADE COMO FONTE DE INOVAÇÃO TERAPÊUTICA CONTRA ANGIOSTRONGYLUS CANTONENSIS
Resumo
A angiostrongilíase humana, causada por Angiostrongylus cantonensis, constitui uma zoonose emergente de relevância crescente para a saúde pública, sobretudo em áreas urbanas onde moluscos invasores, como o caramujo-gigante-africano (Achatina fulica), atuam como hospedeiros intermediários, com impactos significativos sobre os ecossistemas e sobre a saúde ambiental. A intensificação da urbanização, aliada às mudanças climáticas, favorece a expansão desses hospedeiros e, consequentemente, a disseminação do parasita, configurando um risco progressivo à população. Diante das limitações dos tratamentos convencionais, ganha destaque a busca por estratégias inovadoras baseadas em compostos naturais para prevenção e controle de helmintíases. Nesse contexto, a cubebina, uma lignana isolada de espécies do gênero Piper, foi investigada quanto à sua eficácia in vitro frente a larvas L1 e L3 de A. cantonensis, bem como à sua citotoxicidade em células hospedeiras. Os ensaios experimentais revelaram efeitos sobre o parasita, induzindo alterações morfológicas compatíveis com estresse e morte, ao mesmo tempo em que apresentou baixa toxicidade em células de mamíferos. A seletividade evidenciada reforça o potencial terapêutico da cubebina como alternativa segura e promissora derivada de produtos naturais. Esses achados ressaltam como a bioprospecção de recursos vegetais pode contribuir para a saúde ambiental e pública, mitigando riscos de zoonoses associadas a moluscos e promovendo abordagens terapêuticas sustentáveis em contextos impactados pelas mudanças climáticas. Para consolidar sua aplicação clínica, são necessários estudos futuros envolvendo ensaios in
vivo e avaliação farmacocinética.
