ÉTICA E TRANSUMANISMO
Resumo
A partir de deliberações éticas e críticas, o projeto objetiva averiguar as propostas levantadas pelo transumanismo, movimento que visa aprimorar o corpo humano por meio da tecnologia, rompendo com as condições impostas, primordialmente, pela natureza. Julian Huxley (1887–1975), fundador do movimento transumanista, sugere em seu manifesto uma quebra com as concepções antropocêntricas modernas que concebiam a racionalidade humana como o agente que tornaria a espécie humana superior às demais e, portanto, conferiria aos humanos mais direitos.
Huxley compreende a razão não como um componente que tornaria os humanos melhores, mas como algo que nos tornaria mais responsáveis. À vista disso, o transumanismo pressupõe que temos o dever moral de melhorar as condições de vida de todas as espécies por meio da tecnologia, superando limitações como a própria mortalidade.
Contudo, ao analisar essas propostas sob um viés ético, emergem questões como: “Será que a implementação dessas tecnologias não encaminharia a humanidade rumo a uma utopia, ou pior, a uma distopia?”.
Deste modo, filosofias como a de Hans Jonas, que propõem uma filosofia da tecnologia a fim de acompanhar o desenvolvimento tecnológico e diagnosticar as futuras consequências das ações humanas ainda no presente, mostram-se como uma grande ferramenta, à medida que fornecem uma sólida base teórica para averiguar, prudencialmente, as propostas transumanistas.
Retomando ainda o pensamento de Aristóteles, depreende-se que a Prudência (phronêsis) é um elemento central na busca pela solução ética, uma vez que possibilita visualizar a situação mais justa e equilibrada que, em última instância, vise ao bem comum.
A partir desses registros, pode-se concluir que a tecnologia – e, portanto, o próprio transumanismo – não deve ser tida como vilã nem como heroína, mas como uma ferramenta que, em conjunto com a ética, deve tornar as condições de vida igualmente favoráveis a todos.
