REPOSICIONAMENTO DA ESPIRONOLACTONA COMO DROGA ANTI-HELMÍNTICA: ESTUDOS IN VITRO
Resumo
As doenças causadas por helmintos representam um importante problema de saúde pública em diversos países. Estima-se que mais de um bilhão de pessoas sejam acometidas por pelo menos uma helmintíase. Dentre elas, a esquistossomose destaca-se como a mais relevante em termos de morbidade e mortalidade, afetando mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente nas regiões com deficiência de saneamento básico.
Atualmente, o tratamento da doença depende de apenas um fármaco: o praziquantel. Considerando que o financiamento de pesquisas para Doenças Negligenciadas é bastante limitado, e que o desenvolvimento de um novo medicamento é um processo demorado, o reaproveitamento de fármacos configura-se como uma estratégia promissora.
No presente estudo, ensaios biológicos in vitro demonstraram que a espironolactona, um diurético poupador de potássio, apresenta atividade anti-helmíntica contra o Schistosoma mansoni, agente etiológico da esquistossomose no continente americano. Na concentração de 50 μM, a espironolactona reduziu a atividade motora, causou alterações morfológicas no tegumento dos esquistossomos adultos, e resultou em 100% de mortalidade.
Com base nesses resultados, este fármaco pode apresentar aplicações terapêuticas promissoras para o tratamento e controle das doenças causadas por helmintos.
