O TEATRO E A APRENDIZAGEM DOS ALUNOS SURDOS

Autores

  • Beatriz Bueno Ferreira ENIAC Autor

Resumo

Este projeto tem como foco pesquisar as contribuições do teatro para o aprendizado dos alunos surdos, em específico a fluência da Libras (Língua Brasileira de Sinais), cuja origem está baseada “na linguagem de sinais francesa e é um dos conjuntos de sinais existentes no mundo inteiro com o propósito de realizar a comunicação entre pessoas com deficiência auditiva.”

No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais foi estabelecida através da Lei nº 10.436/2002, como a língua oficial das pessoas surdas:

Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

Ao longo dos tempos, muito se evidenciou sobre a segregação do surdo no ambiente escolar e fora dele. Acreditava-se que o surdo não era capaz de aprender. Antes, não se aceitava que o surdo tivesse uma língua específica para se comunicar e, também, não se acreditava que a língua de sinais pudesse ter uma organização e estrutura iguais a outras línguas. A ele era imposto que aprendesse a se comunicar, a duras penas, por meio da oralização.

Os surdos passaram por longos períodos de segregação e exclusão social. A Língua de Sinais era proibida e, muitas vezes, as mãos das crianças eram amarradas para que não conseguissem se comunicar por meio delas.

A leitura labial e a oralização eram incentivadas, a fim de que tentassem entender o mundo ao seu redor. Muitas dessas tentativas foram frustradas, afastando o surdo do ambiente escolar e da vida em sociedade.

Com o passar do tempo, essa visão se transformou: foi promulgada a Lei nº 10.436, de 2002, que garante a Libras – Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão, sendo reconhecida em todo o território nacional, fazendo com que seja disciplina obrigatória nos cursos de licenciatura, educação especial, magistério e fonoaudiologia, partindo do entendimento de que o surdo tem necessidades de aprendizagem específicas e bastante próprias.

Ainda hoje, muitas crianças surdas, ao chegarem na escola, matriculadas em salas regulares, como inclusões ou em salas bilíngues, ainda desconhecem a Libras. Comunicam-se com seus familiares e amigos por meio de gestos e mímicas. Mas essa não precisa ser sua realidade, pois, se é direito e é desejo pertencer a um grupo e tornar-se um cidadão, apropriar-se da Libras como língua materna, pela qual poderá conhecer outros surdos e conhecer-se, parece o mais adequado para criar uma identidade surda, inserindo-o em sociedade. E este, reconhecendo-se como surdo, com suas particularidades e tantas habilidades a desenvolver, como outros dessa comunidade, poderá ser um agente multiplicador desse conhecimento, adquirido no ambiente escolar, a seus familiares e a outras pessoas do seu convívio.

Perlin (1998) evidencia que “o principal fator de influência da identidade surda é, com certeza, a língua de sinais, que permite a comunicação e a interação com o mundo por meio da modalidade visual-espacial, livre da marginalização imposta pela modalidade oral-auditiva.”

Comunicar-se com o mundo por meio dos sinais exige muita expressão e emoção, que pode ser estimulada por meio da ludicidade que o teatro proporciona, pois, quando nos comunicamos, contamos uma história, e a dramatização pode ajudar a melhorar a desenvoltura do surdo.

De acordo com as concepções de Piaget (1974), o lúdico é o berço das atividades intelectuais da criança, ou seja, são meios que enriquecem o desenvolvimento intelectual. Este processo de desenvolvimento ocorre pois a criança vai conhecendo o mundo, assimilando informações de acordo com seu estágio de desenvolvimento.

Para Arcoverde (2008):

“Trabalhar com o teatro na sala de aula não é apenas fazer os alunos assistirem às peças, mas representá-las, inclui uma série de vantagens obtidas: o aluno aprende a improvisar, a expressão corporal, aprende a se entrosar com as pessoas, trabalha o lado emocional e desenvolve diversas outras habilidades.”

Desse modo, o teatro, como ferramenta pedagógica, pode ser um facilitador no processo de aprendizagem do aluno surdo, que é, por característica, visual, pois, através das histórias vivenciadas, ele poderá se colocar no lugar dos personagens e experimentar diferentes sensações, que podem ser transportadas para a vida real no aprendizado da Libras. Melhor do que aprender é aprender de forma lúdica e prazerosa, conhecimentos que poderão ajudá-los na fluência da língua de sinais, que exige não somente expressão facial, mas do corpo como um todo.

O pressuposto deste estudo é que o teatro, como ferramenta pedagógica, pode impulsionar o aprendizado e a fluência da Libras por alunos surdos de classe bilíngue multisseriada de 1º a 5º ano, pois, sendo o surdo visual, todo o processo de aprendizagem pode partir das artes visuais, ou seja, do teatro, porque, durante uma cena de teatro, o surdo compreende a informação e também consegue relacioná-la ao contexto desejado.

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Publicado

2025-08-04

Como Citar

O TEATRO E A APRENDIZAGEM DOS ALUNOS SURDOS. (2025). Portal De Conferências Da Semana Do Conhecimento, 2(1). https://sdc.guarulhos.sp.gov.br/index.php/SDC/article/view/506